terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Encontrada uma das garrafas de cerveja mais antigas do mundo

O Centro de Pesquisa Técnica da Finlândia divulgou nesta terça-feira, dia 8, a imagem de uma garrafa de cerveja encontrada no arquipélago de AAland, no verão de 2010. Trata-se de uma das mais preservadas garrafas de cerveja das mais antigas do mundo, datada de um naufrágio no primeiro semestre de 1800. A garrafa permanece com o conteúdo intacto, o que atraiu a curiosidade dos cientistas.

Mergulhadores já recuperaram mais de 160 garrafas de champanhe e cerveja do naufrágio do mesmo navio. Agora, os cientistas estudarão o conteúdo do frasco para determinar o tipo de receita usada na fermentação da cerveja e o tipo de levedura que causou o processo.

fonte:https://noticias.terra.com.br

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011


FESTA DE 4 ANOS DA CONFECE

Maravilhosa e maravilhosas, com certeza!

Estado de Minas, 26 de janeiro de 2011

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Brasil passa Alemanha e Rússia e é o 3º produtor mundial de cerveja

Graziela Reis - Estado de Minas

Publicação: 16/01/2011 07:27 Atualização: 16/01/2011 07:54

Que tomar uma que nada. No ano passado, os brasileiros pediram foram muitas e muitas cervejas. O resultado dessa sede toda, que cresceu por causa do aumento da renda no país, do calor e da Copa do Mundo, foi um aumento da ordem de 18% na produção nacional da bebida. Foram fabricados 12,4 bilhões de litros da loura servida gelada e tão apreciada de norte a sul do país, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). Os dados de 2010 ainda estão sendo fechados e podem sofrer uma pequena alteração, mas esse montante já dá ao Brasil um título inédito: de terceiro maior produtor de cerveja do mundo.

Poder de compra da nova classe média eleva consumo de cerveja no Brasil
Setor de microcervejarias cresce no Brasil ''Foi um salto impressionante. É um recorde histórico e, com ele, ultrapassamos a produção da Alemanha, que varia de 10,8 a 11,2 bilhões de litros, e a da Rússia, de 11,6 bilhões de litros'', afirma o presidente do Sindicerv, Gilmar Viana. A produção brasileira de cerveja agora só perde para a da China, com 35 bilhões de litros, e para a dos Estados Unidos, com cerca de 24 bilhões de litros.

Segundo Viana, a expansão da produção nacional é justificada principalmente pelas vendas no Norte e no Nordeste do país. ''Houve um alargamento do consumo'', diz. E, para atender essa alta na demanda, as indústrias chegaram perto do limite da capacidade de produção. Foi por isso também que os investimentos anunciados pelo setor em 2010 foram recordes. No ano passado, os aportes das cervejarias chegaram a R$ 5,4 bilhões, em expansões e construções de unidades, como a da Ambev em Sete Lagoas, na Região Central de Minas. Até então, a média anual de investimentos era da ordem de R$ 2 bilhões.

Os recursos já foram garantidos, mas as cervejarias estão suando para atender os pedidos deste verão. Esta época concentra 40% das vendas nacionais da bebida no país e a forte concentração da demanda está levando ao atraso nas entregas. ''Em dezembro a venda foi tão violenta que pedia 50 caixas e recebia 30. Agora, ainda deixam de mandar uma marca ou outra'', conta o proprietário do Bar do Doca, Jorge Lage. ''O pessoal está com o bolso mais folgado, o que dá tranquilidade para tomar mais cerveja'', observa. O apreciador da bebida Antônio Afonso, dono do Bar do Toninho, reclama que tem dia que ''falta cerveja''. ''As fábricas não estão dando conta de atender todo mundo'', afirma. Ele, inclusive, confessa que consumiu mais, no ano passado. ''Foi o calor'', explica. Segundo Viana, os resultados dos investimentos das cervejarias devem chegar ao mercado no segundo semestre, quando as entregas devem ser equilibradas.

Só a Ambev (Skol, Brahma, Antartica, Bohemia, Original, Polar e Serramalte) registrou uma alta de 14,1% no volume produzido entre janeiro e setembro do ano passado frente igual período de 2009, de acordo com os últimos dados divulgados pela gigante do setor no país. Em nove meses, sua produção atingiu os 6 bilhões de litros. ''Nosso desempenho no Brasil confirma que estamos na direção correta'', afirmou João Castro Neves, presidente da Ambev, durante a divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2010.

Nas outras grandes empresas nacionais, a evolução não foi diferente. Paulo Macedo, diretor de Relações Corporativas da Heineken Brasil (Kaiser, Bavaria, Sol, Xingu, Summer Draft e Santa Cerva), conta que o crescimento da empresa em 2010 foi de 14,2%. ''Fatores como a maior renda disponível às famílias, o clima favorável, a manutenção da carga tributária garantiram um incremento no volume de comercialização dos nossos produtos na casa dos dois dígitos'', afirma.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Chefs usam a cerveja para realçar o sabor de suas receitas

Rebeca Ramos
Publicação: 16/12/2010 09:22 Atualização: 16/12/2010 13:49




Risoto Bávaro, do Agrippina Bistrô: cerveja dunkel com cubos de vitelo

É indiscutível o valor que uma cerveja bem gelada tem. Mas isso não quer dizer que a bebida precisa vir sempre trincando, com aquela capa de gelo em volta da garrafa, tão apreciada pelos cervejeiros. A cerveja quente, fervendo, também é muito boa. A comprovação é dos chefs que elaboram receitas embebidas no líquido e abusam desse ótimo ingrediente gastronômico, utilizado para agregar sabor ou dar o ponto certo ao prato.

O mundo da cerveja é tão amplo que existem cerca de 120 estilos. O cervejólogo e beer sommelier Rodrigo Lemos conta que são 80 catalogados no Beer Judge Certification Program (BJCP), entidade que organiza os concursos internacionais da bebida. “Porém, a cada ano, são criadas mais e mais cervejas em todo o mundo”, ressalta. Ele explica que os 120 tipos têm origem em quatro principais escolas cervejeiras: a alemã, a inglesa, a belga e a americana, que faz a releitura das três primeiras e cria outros estilos a partir delas.

Por ser rica em maltes, muitas vezes torrados em diferentes intensidades, do caramelizado ao bastante torrado, como os grãos de café, a cerveja é uma excelente opção para molhos e marinados, ou ainda para temperar carnes — a bebida também ajuda a amaciar os cortes. “Na Irlanda, é tradicional o beef stew, cozido de carne que leva a Guinness em seu preparo. Já na cidade de Bamberg (Alemanha), é muito comum a cebola recheada com Rauchbier, cerveja defumada típica”, destaca Lemos. De acordo com ele, utiliza-se a cerveja também no preparo de pães e de massas.

No menu do Agrippina Bistrô, todas as especificações da cerveja foram levadas em consideração. A casa possui 100 rótulos, entre nacionais e internacionais, na carta. Quanto aos pratos servidos na casa, fica claro que a bebida poder estar tanto nas tulipas e nos copos especiais quanto nas panelas. A chef Maria Elisa Araújo conta que para cozinhar com cerveja é preciso saber muito bem a que resultado se deseja chegar. É o caso do camarão ao creme de queijo e cerveja weiss. “Como essa cerveja é feita de trigo e tem um amargor sutil, contrasta bem com o parmesão, o molho inglês e a mostarda, que são fortes, deixando o prato mais leve”, explica.

Entre os pratos principais, o destaque é o risoto Bávaro, com cubos de vitelo cozido no molho inglês e na cerveja dunkel. “Ela é escura e robusta, por isso acentua o sabor do vitelo”, ressalta. Até mesmo os doces podem ganhar um toque especial. Maria Elisa criou, por exemplo, o tiramissu de cerveja Double Chocolate Stout. A chef explica que as bolachas champagne são embebidas na cerveja e no café espresso. “Essa marca é uma das poucas que têm chocolate na composição. Mas como ela é amarga, a receita não fica tão doce”, afirma.

Massas
Após pesquisar sobre crepes e processos de fermentação, o restaurateur Sérgio Quintiliano, do C’est Si Bon, descobriu que a tradição pede que não se use produtos químicos, mas vinho branco nas massas. “Dessa forma, a fermentação é mais lenta, deixando a massa mais leve e, consequentemente, mais saborosa”, salienta. Munido das informações, Sérgio iniciou alguns experimentos que resultaram na massa de crepe com cerveja tipo lagers, conhecida como pilsen, uma de suas subcategorias. “Todos os nossos crepes levam cerveja na massa, assim como o nosso wrap, que originalmente é feito com pão folha”, diz. Ele se refere ao wrap de salmão, com o peixe grelhado e desfiado, o kani-kama, o cream-cheese e as sementes de gergelim preto. “Quando criei esse prato, usava sementes de papoula, mas sua comercialização foi proibida no Brasil”, lamenta.

Para as versões doces, Sérgio comenta que sempre adiciona um toque extra. É o caso do capuccino crepe, em que a massa leva, além de cerveja, uma dose de café solúvel. Para o recheio, 100g de chocolate ao leite derretido, licor de café, chantily e canela. “A imagem é linda. A massa fica com o aspecto marrom-claro”, descreve.

A cerveja pode ser usada também em receitas fritas. É o que comprova o chef Francisco Jacinto, do Stadt Bier. Depois de trabalhar em outro restaurante da cidade, Chiquinho, como é conhecido, aprendeu a fazer uma massa irlandesa para empanar cebolas que leva cerveja, trigo, ovos e temperos, tudo misturado. Na choparia, ele fez uma releitura para os filés de frango e de peixe. “Eu preparo uma massa com 300ml de chope turvo e depois empano com farinha de rosca”, descreve. Segundo ele, o frango fica seco e leve, pois o álcool faz com que o óleo não seja absorvido. Para o peixe, o empanado leva trigo. “Como a carne é mais mole e a farinha de rosca é mais pesada, quando levada ao óleo ela desmancha”, esclarece.

HARMONIZAÇÃO
É exatamente por causa dessa variedade que a cerveja é considerada uma bebida mais versátil para harmonizar do que o vinho. Existe uma enorme gama de aromas e sabores, que vão do adocicado ao frutado, do torrado ao defumado e do ácido ao amargo. Dessa forma, a bebida combina com praticamente todo tipo de prato — saladas, peixes, frutos do mar, aves, carnes vermelhas, embutidos e queijos.


FAMÍLIAS
O especialista Rodrigo Lemos explica que o tipo de cerveja é definido por seu processo de fermentação. A bebida pode ser dividida em três grandes famílias: de baixa fermentação (chamadas lagers); de alta (denominadas ales) e as de fermentação espontânea (lambics). “Os 120 estilos se distribuem dentro dessas três categorias”, conta. Segundo ele, exemplos de cervejas de baixa fermentação são as pilsen, a american lager, a bock e a vienna lager. Entre as de alta, destacam-se as weizenbiers (cervejas de trigo alemãs) e os estilos dubbel e tripel (da escola belga). Já as lambics podem ter adição de frutas in natura, o que deu origem a estilos como as kriek (cereja), framboise (framboesa), pêche (pêssego) e cassis.

Para acompanhar
O site Brejas (www.brejas.com.br) preparou um quadro com as melhores harmonizações da bebida com queijo. Confira alguns exemplos:

QUEIJOS - CERVEJAS
Ricota, cottage, minas - American wheat beer, american lagers e amber lagers
Mascarpone, catupiry, camembert e brie - Hefeweizen, premium lagers, belgian tripel e pale ales Gouda, american e colby - Brown ales, golden Ales, bitters e belgian pale ales
Cheddar, suíço, edam, gruyere e emental - Strong bitters, pale ales, bocks e a maioria das belgian ales
Parmigiano, parmesão, grana padano e pecorino - Strong ales, doppelbock, stout e porter
Roquefort, stilton e gorgonzola - Belgian strong ales, strong porters, barley wines, stouts
Caprino romano e feta - IPAs, ESBs, Hefeweizen
Muçarela e provolone - Cervejas de trigo, sejam as witbier, hefeweizen ou doppelweizen

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Cervejeiro britânico cria bebida com ostras e frango.

Um mestre cervejeiro britânico lançou cervejas de sabores exóticos como ostras e frango.
Objetivo é criar 52 cervejas diferentes para cada semana do ano.

Stuart Howe, que trabalha na cervejaria Sharp, na região da Cornualha, iniciou um projeto para fabricar pequenas quantidades da bebida em 52 sabores diferentes, um para cada semana do ano.

Howe iniciou o projeto em janeiro de 2010 e usou muitos dos ingredientes tradionais das cervejas como maltes, lúpulo, temperos, levedura e todos os processos necessários na fabricação de cada cerveja.

Mas, o cervejeiro resolveu incluir outros ingredientes como ostras, e mexilhões, rins de frango e coração de cordeiro, pimenta malagueta, cardamomo, cogumelos e até cervejas que alegam ter efeitos alucinógenos. Howe reconhece que as 52 cervejas não vão agradar a todos.

Algumas das criações foram mais bem aceitas e até foram produzidas em escala maior e vendidas pela cervejaria Sharp. Mas, a própria cervejaria reconhece que nenhuma das estranhas bebidas de Howe chegaram a ser comercializadas de acordo com a média registrada pela cervejaria.

Blog e cerveja

Howe relata suas experiências e buscas por novos sabores em um blog, no qual dá os detalhes técnicos da bebida e como os novos sabores vão surgindo. O mestre cervejeiro também teve ideias que não saíram do papel, como a cerveja com uso de plasma sanguíneo.

"Produtos do sangue nunca são abundantes, então ferver um pouco disso para colocar na cerveja é um pouco fútil. Se eu fosse fazer, seria meu próprio plasma, mas o custo de conseguir e purificar (o plasma) seria provavelmente elevado demais para o que seria apenas uma experiência divertida", disse Howe à BBC Brasil, por email.

Uma das misturas mais polêmicas é a cerveja chamada Shellfish stout, na qual Howe acrescentou ostras, mexilhões e o berbigão, um tipo de molusco bivalve. Outra cerveja que não agradou a todos mas chama atenção pela excentricidade é a Helston's Offal Ale, na qual foram acrescentados fígado e rins de frango e coração de cordeiro.

Já a Fungal Strong Ale leva cogumelos comestíveis de vários tipos. A Imperial Dirty Bloody Mary leva tomate, batata doce e cenoura e, ainda há uma cerveja com vinagre balsâmico, a Balsamic Barley Wine Vinegar, além de cervejas com ingredientes da culinária indiana, como o cardamomo.

Outra bebida polêmica é a cerveja Wormwood Hallucinogenic Bitter, na qual Howe incorporou absinto e ervas para criar o que Howe alega ser uma bebida alucinógena.

"Contém absinto e sálvia, que são conhecidos por ser psicoativos. Estas duas ervas tem uma longa história de uso para escapar da realidade", escreveu Howe, que descreveu os elementos alucinógenos e quais são possíveis efeitos destas plantas. "Ainda tenho que beber a cerveja, mas experimentei durante a produção e me senti meio estranho", acrescentou.

No entanto, a preferida do mestre cervejeiro tem ingredientes diferentes mas que não se afastam tanto do tradicional: uma cerveja com frutas cítricas na qual Howe usou a casca de sete frutas diferentes para dar sabor à bebida.

Além das experiências com ingredientes, Howe também produziu cervejas "engraçadas" como a The World's Stupidest Beer (A Cerveja mais Estúpida do Mundo, em tradução livre), na qual o mestre cervejeiro alega que o barril de cerveja foi submetido a uma série de "processos irrelevantes que mudariam de alguma forma o sabor".

Para a BBC, Howe relatou quais seriam os "processos irrelevantes". "Preparada (com o cervejeiro) nu, usando água de geleiras norueguesas e sulfato de cálcio americano, com a música I Need A Miracle, do (conjunto dance) Cascada tocada para a cerveja no tanque de condicionamento (...), com viagens de ida e volta em uma balsa de passageiros", afirmou.

Fonte: Leonardo Martins Monteiro


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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Brasileiros consomem menos arroz e feijão e mais cerveja, aponta IBGE

Consumo de refrigerante de cola cresceu 39,3%, entre 2002 e 2008.
Pesquisa de Orçamentos Familiares foi divulgada nesta quinta (16).
Do G1, em São Paulo

Dos anos de 2002/2003 a 2008/2009, o consumo de arroz e feijão caiu entre os brasileiros, dando espaço a produtos como a cerveja e o refrigerante, cujos índices de consumo registraram aumento no período. O dado foi divulgado nesta quinta-feira (16), e integra a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O suplemento “Aquisição alimentar domiciliar per capita” avalia as quantidades de alimentos adquiridos pelas famílias brasileiras e as formas de aquisição desses produtos. A coleta de dados para a pesquisa ocorreu nas áreas urbana e rural em todo o território brasileiro, no período de maio de 2008 a maio de 2009.

Na análise das médias anuais, por pessoa, de aquisição domiciliar de alimentos, cada brasileiro consome, por ano, 50,7 kg de bebidas e infusões; 43,7 kg de laticínios; 39 kg de cereais e leguminosas; 28,9 kg de frutas; 27,1 kg de hortaliças; e 25,4 kg de carnes. Em 2002/2003, o maior consumo registrado foi de laticínios, seguidos de cereais e leguminosas e bebidas e infusões. A média de aquisição domiciliar de alimentos representa quanto de um produto uma família adquire em um ano, dividido pelo número de pessoas dessa família.

Se considerados alguns produtos selecionados dentro dos grupos de alimentos citados acima, em 2008/2009, cada brasileiro consumiu, em média, em um ano, 14,6 kg de arroz polido, 9,1 kg de feijão, 5,6 kg de cerveja e 12,6 kg de refrigerante de cola. Em 2002/2003, as quantidades médias eram, respectivamente, 24,5 kg, 12,4 kg, 4,6 kg e 9,1 kg.

Segundo o IBGE, o consumo médio de refrigerante de cola, entre 2002 e 2008, aumentou 39,3%; de água mineral, 27,5%; e de cerveja, 23,2%. Considerando-se a situação do domicílio, na área rural esses aumentos foram ainda mais expressivos. A quantidade média adquirida do refrigerante de cola passou de 3,156 kg para 6,060 kg (aumento de 92%); da água mineral de 1,558 kg para 6,104 kg (aumento de 291%); e da cerveja de 1,711 kg para 3,209 kg (aumento de 88%).

Mesmo com a queda no consumo nacional de arroz e feijão, os produtos foram os únicos a apresentar médias de aquisição anual, por pessoa, acima do total do Brasil. Na faixa mais baixa de rendimentos da população, de até R$ 830 por família, foram consumidos, em média, 27,6 kg de arroz e 10,3 kg de feijão, por pessoa, em um ano.

Disponibilidade alimentar
De acordo com o suplemento “Avaliação nutricional da disponibilidade domiciliar de alimentos no Brasil”, da POF 2008-2009, a disponibilidade média nacional de alimentos nos domicílios é de 1.611 kcal por pessoa, por dia, sendo 1.536 kcal no meio urbano, e 1.973 kcal no meio rural. Em 2002-2003, a disponibilidade média nacional era de 1.791 kcal, por dia.

Segundo o levantamento, no entanto, não é possível afirmar que a probabilidade de déficits calóricos no país é maior no meio urbano do que no meio rural. Isso porque não são objetos de estudo a fração dos alimentos efetivamente consumida pelas famílias e as quantidades de alimentos referentes ao consumo fora do domicílio.

A participação relativa de grupos de alimentos no total de alimentos disponíveis para consumo no domicílio indica que alimentos básicos de origem vegetal (cereais, leguminosas e raízes e tubérculos) correspondem a 45% das calorias totais. A seguir, com 28%, estão os alimentos essencialmente calóricos (óleos e gorduras vegetais, gordura animal, açúcar de mesa e refrigerantes e bebidas alcoólicas) e, com 19%, estão os produtos de origem animal (carnes, leite e derivados e ovos).

Frutas, verduras e legumes correspondem a apenas 2,8% das calorias totais, ou cerca de um quarto das recomendações para o consumo desses alimentos (pelo menos 400 gramas diárias). Refeições prontas e misturas industrializadas correspondem a 4,6% das calorias totais. Já a participação de condimentos (0,3%) e oleaginosas (0,2%) é pouco expressiva.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Iniciativa pioneira de mineiros anima produtores de cerveja


Experimento desenvolvido no estado mostra potencial para o país ter fonte própria de levedo, substituindo similares europeus usados na produção da bebida

Eduardo Tristão Girão - Estado de Minas
Publicação: 15/11/2010 09:30 Atualização: 15/11/2010 09:54




Água, malte, lúpulo e levedo. São apenas quatro os ingredientes básicos para se fazer cerveja, ainda que suas dezenas de estilos façam supor o contrário. À exceção da água, praticamente tudo é importado para a fabricação da bebida no Brasil, quadro que pode mudar a partir de agora, graças à iniciativa pioneira de pesquisadores e produtores mineiros no estudo sobre o uso de levedo de cachaça na fermentação da cerveja, substituindo cobiçados similares europeus. Mais do que mera questão de custo, está em jogo a possibilidade de o país mostrar potencial como fonte de matéria-prima única no mundo.

Levedos são fungos microscópicos. Durante o processo de produção da cerveja, são adicionados aos bilhões ao mosto (o malte macerado com água quente) para desencadear o processo de fermentação, durante o qual são originados o álcool e o gás carbônico. Além disso, é justamente nesse momento que surgem compostos secundários (álcoois superiores e ésteres) fundamentais na formação de aromas da bebida. Há centenas de tipos de levedos, sendo que a minoria é adequada para esse uso. Um deles está presente no mosto de fermentação da cachaça mineira.

A primeira cerveja elaborada com levedo de cachaça produzida em Minas Gerais foi feita recentemente na cervejaria-escola Taberna do Vale, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Batizada de Carolweiss, é uma cerveja de trigo desenvolvida pelo cervejeiro Felipe Viegas e pelo farmacêutico José Eduardo Marinho. A ideia surgiu há dois anos, durante palestra de Rogélio Brandão, professor do Núcleo de Pesquisas em Ciências Biológicas da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e sócio da Cerlev, empresa que presta serviços na área de fermentação. Atualmente, ele prepara um estudo a ser desenvolvido no curso de mestrado sobre a ação de diferentes levedos de cachaça no mesmo mosto de cerveja.

A partir daí, José Eduardo foi buscar num alambique da fazenda do pai, em Mariana, a 110 quilômetros da capital mineira, o insumo para o experimento. Coletou amostra no local e fez a cultura para multiplicação do levedo. Ao eliminar bactérias nocivas e outros micro-organismos desnecessários e menos resistentes, isolou completamente um único tipo de levedo. Antes de usá-lo, foi preciso realizar a transição, já que estava "habituado" a fermentar sempre o açúcar da cana e não o do malte. Sucessivas gerações do mesmo levedo foram cultivadas por dois meses em mosto de cerveja com nível cada vez menor de açúcar de cana.

O levedo que obtiveram é capaz de fermentar naturalmente mosto formado só por malte, prova de que já está pronto para ser usado na fabricação de cerveja. Os resultados surpreenderam Felipe e José Eduardo: a cerveja ficou com teor alcoólico maior que o habitual – 5,5%; 0,2% a mais – e a fermentação, que demora cerca de seis horas para começar, teve início em duas horas. "Alguns levedos são neutros e fermentam bem vários estilos de cerveja, o que não foi o caso deste. Testei-o numa Pale Ale e não deu certo. Por enquanto, mostrou que trabalha bem em cervejas de trigo dos tipos clara e bock", explica Felipe. Na bock de trigo, a diferença na graduação de álcool foi ainda maior, 0,5% a mais. Ale é a denominação usada para a família de cervejas de alta fermentação e Pale é um subgrupo de bebidas da família Ale. Já a cerveja bock é aquela com baixa fermentação, cor mais escura e sabor mais forte.

Ameixa e macia

Em termos de sabor, as cervejas de trigo que a dupla produziu apresentam características aromáticas semelhantes às que teriam se tivessem sido feitas com o levedo tradicional do estilo, mas com alguns toques diferentes. Na versão clara, o levedo de cachaça conferiu surpreendente nota de maçã, enquanto na bock houve predominância do aroma de ameixa seca sobre os de banana, passa e cravo – exatamente o contrário do que seria esperado no método habitual. São características que as tornam únicas no mapa-múndi cervejeiro. Por enquanto, nenhuma está à venda.

Por esse motivo, Felipe não descarta a hipótese de pleitear reconhecimento da "weiss mineira" no Beer Judge Certification Program (BJCP), entidade autora do guia de estilos de cerveja mais adotado no mundo. "Na Argentina, estão desenvolvendo um estilo próprio, chamado dorada pampeana, que querem aprovar no BJCP. É uma cerveja lager (denominação usada para a família de cervejas de baixa fermentação) com malte pilsen cultivado lá. Por que não fazer o mesmo com a nossa cerveja?", questiona. Os próximos passos, revela, serão desenvolver cervejas ainda mais alcoólicas (até 13%) com esse levedo e testar variedades coletadas em alambiques de outras regiões de Minas Gerais.